Documento falso:o barato que pode sair bem caro!
abril 27, 2009 by Sofia Santos
Filed under Vida de Imigrante
Falsificar um documento ou casar para ter um passaporte europeu pode ser uma solução tentadora. Mas cada vez mais gente vem tendo problemas com a justiça por causa desse crime.
Quem é brasileiro e mora no Reino Unido há algum tempo já deve ter ouvido falar sobre o mercado ilegal de documentos falsos.
Mas o que parece ser a maneira simples de conseguir ficar por aqui pode acabar virando uma verdadeira “roubada”.
Tudo bem, para quem é apenas cidadão brasileiro, conseguir ficar por muitos anos no Reino Unido de maneira legal não é nada fácil.
Na verdade, são poucas as opções: você precisa estar com seu visto de estudante em dia (e renová-lo constantemente de acordo com as regras do Home Office), ter um visto de trabalho provando que a sua empresa precisa dos seus serviços aqui, ou aplicar para o “High Skills”, onde a sua renda e a sua qualificação é que contam pontos.
E eis que surge um caminho mais “fácil”: falsificação de documentos ou casamentos de conveniência. Mas os riscos das coisas darem errado são grandes.
As duas ações são ilegais e você pode acabar se complicando ainda mais se optar por um destes caminhos.
casamentos de conveniência
Foi o que aconteceu com uma jovem de 27 anos de São Paulo que prefere se identificar apenas como Mariana. Para conseguir ficar mais tempo na Inglaterra, ela não pensou duas vezes.
Conheceu um angolano com passaporte português e resolveu se casar. Tudo num acordo. Para ter direito ao passaporte europeu, ela pagou 4 mil libras (cerca de 16 mil reais) ao angolano. “Foi difícil conseguir a grana, mas eu achei que seria um investimento”, lembra.
Mas o que seria a solução para um problema virou uma dor de cabeça. Obrigada a viver com o angolano para manter uma aparência, ela se sentia intimidada pelo marido. “Ele ficava me beijando e aproveitava todas as oportunidades para mostrar que eu teria que ser a esposa dele de fato, mesmo com todo o acordo dizendo que tudo era falso.” Para piorar, apenas alguns meses depois do casamento ela descobriu que o passaporte que ele dizia ter, na verdade, era uma farsa.“Ele me garantiu que tinha o passaporte, mas quando quis dar entrada no meu documento, descobri que ele ainda precisava de autorização do consulado português. Nem ele tinha o passaporte”, conta.
Farsa desmascarada, ela deixou de viver com ele. Mas aí começou um outro problema, pedir o divórcio. Depois de pagar as 4 mil libras, ela ainda precisou arcar com todo o processo para se ver livre legalmente dele, mais 500 libras (em torno de 2 mil reais). Com tanta despesa e psicologicamente abalada, o jeito foi voltar para o Brasil. “Acabei me dando muito mal com toda essa história. No início, o marido ou esposa por conveniência parecem pessoas confiáveis. Mas depois a gente vê que nem tudo sai conforme o combinado.”
O processo de separação ainda não foi concluído porque o marido angolano desapareceu. E agora, vivendo em São Paulo, Mariana tenta se esquecer dessa fase complicada da vida.
Documentos falsos
Outra tática para ficar por aqui é a da documentação falsa. Mas isso está se tornando uma idéia cada vez mais perigosa.
Depois dos atentados terroristas de 2005, a polícia britânica vem fechando o cerco e intensificando as investigações. De acordo com um último levantamento feito pela Scotland Yard, existem cerca de 170 grupos falsificando passaportes que já foram monitorados.
Em setembro de 2006, dois brasileiros foram condenados a cinco anos de prisão depois que a polícia descobriu uma fábrica de documentos falsos.
Em janeiro deste ano, mais prisões envolvendo brasileiros. Sete foram presos em Hackney, no leste de Londres, alguns acusados de falsificação e outros por portarem documentos falsos.


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