Removida por engano e imigração paga passagem de volta

As arbitrariedades imigratórias estão saindo dos guichês dos aeroportos para ganhar as ruas. Em um caso sem precedentes na história inglesa (foi o que apuramos), e com final feliz para o imigrante, uma brasileira foi mandada de volta para o Brasil, por engano, e trazida de volta pelo Home Office (Imigração). No dia 11/03/08 a brasileira, L.D.F., de Goiás, foi detida na estação de metrô Richmond, em Londres, por policiais de imigração.

No momento da abordagem, ela não portava o bilhete de volta para o Brasil. O que nenhum turista faz, até por questão de segurança, deixa a passagem em algum lugar seguro. Em único telefonema ela contatou o marido, que também se encontra na capital Londrina. Ele, desesperado, pediu socorro na Associação Brasileira no Reino Unido (ABRAS).

A Associação, através de seu presidente Carlos Mellinger, contatou o Home Office (Imigração) e depois de uma tarde inteira de negociações, Mellinger convenceu a imigração que se tratava de um erro. A cidadã brasileira havia chegado a Londres na semana anterior, por avião, com escala em Dublin e havia feito turismo em outros países europeus.

Mas, por um erro de comunicação entre Imigração e aeroporto, L.D.F. foi embarcada de volta para o Brasil ao invés de ser deixada no Terminal 4 do aeroporto de Heathrow como havia sido acordado com o senhor Mellinger. Sem notícias durante várias horas, o marido e a ABRAS só tomaram conhecimento do erro depois que L.D.F. contatou, do Brasil, seu marido informando que estava tudo bem e que a remoção tinha acabado e estava na casa de amigos em Goiânia. “Ela foi removida porque houve falha de comunicação entre os oficiais que tomaram a decisão e os oficias que a escoltavam no aeroporto”, explicou o presidente da ABRAS. Em um caso sem precedentes, a ABRAS, após muito trabalho convenceu o Home Office a “patrocinar” a volta da Sra. L.D.F. para Londres, recusando outras ofertas que recebeu, como fazer o inverso e enviar a família que ficou aqui (marido e filha de 14 anos) para o Brasil. Segundo Mellinger, o bilhete de volta foi comprado pelo Home Office para ela embarcar no dia 17/03 saindo de Goiânia às 18h30, com escala em São Paulo onde embarcaria num vôo da TAM para chegar a Londres no dia 18/03 às 13h35.

Mellinger nos disse que a TAM Londres foi comunicada sobre o caso pelo próprio Home Office. “Por falha de comunicação entre a TAM Londres e a TAM Brasil (Goiânia e Guarulhos) a passageira foi impedida de embarcar por não portar bilhete de retorno (bilhete aqui, claro). Apesar de nossas rápidas intervenções, e-mail enviado para a supervisão da TAM no Aeroporto de Goiânia explicando o caso e imagem da passagem original de retorno digitalizada, a TAM não se esforçou muito para embarcar a passageira. Tentou até vender um bilhete de retorno. Seque contatou Londres e não se mostrou interessada no ser humano já traumatizado por toda a experiência de detenção e remoção.”, disse Carlos Mellinger.

De acordo com contato telefônico feito com a TAM, a empresa diz que segue normas internacionais de que nenhum passageiro pode sair de território nacional sem portar o bilhete de retorno. Como a Sra. LDF não tinha o bilhete de volta, não pôde embarcar. No outro dia, depois de esclarecida a situação, foi emitido um bilhete de volta e a passageira embarcou para Londres. A TAM informou que se não for cumprida essa exigência, a empresa paga multa no país de desembarque daquele passageiro.

Perguntado se essa exigência é feita aos estrangeiros que se dirigem ao Brasil a empresa informou que sim. Inclusive que a falta dessa verificação é o que está fazendo com que estrangeiros tenham sua entrada recusada no Brasil. Segundo a Companhia aérea a exigência sempre houve, mas no Brasil fazia-se vistas grossas e não era exigida a apresentação da passagem. Depois de todo esse transtorno e de ter entrado para a história da imigração brasileira no Reino Unido, LDF retornou a Londres e foi recebida de braços abertos pela imigração. A equipe de reportagem do Brasil Etc. procurou o Home Office para falar sobre o assunto, um funcionário do setor de imprensa disse que o órgão não comenta casos individuais.

Para todas as perguntas efetuadas a resposta foi a mesma: “não comentam o caso”. Na realidade eles se recusaram a responder qualquer pergunta feita relacionada ou não com o caso da Sra. LDF. O Consulado do Brasil em Londres também foi contatado e destacou o trabalho da ABRAS no caso. Todavia, não deu mais informações, pois elas deveriam ser passadas pelo Cônsul Geral do Brasil em Londres, o embaixador Flavio Perri, que não se encontrava disponível.

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One thought on “Removida por engano e imigração paga passagem de volta

  1. Mark J.Olegon

    Entao quer dizer que a Goiana estava passeando emm Richmond, alegou-se de ferias, e sem o marido…Nao e possivel, pois goianos sao como Valadarenses…

    responder

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